terça-feira, 20 de outubro de 2009

Mais uma Vergonha Nacional - José Saramago

No dia de ontem acordei e voltei a ouvir falar de polémicas à volta do Premio Nóbel da Literatura Português: José Saramago.
Mais uma vez...... desta feita, no meu ponto de vista, a questão não está no teor do livro que escreveu o autor mas sim nos comentários que fez aquando da apresentação do mesmo. Que ele critique a religião católica é um direito seu e só compra o livro quem quer; agora que venha pôr em causa as crenças de cada uma das pessoas, então já estamos a falar de outra coisa! Quem pensa que é o autor para vir ofender as crenças de cada um? Que eu saiba vivemos num país livre e como tal tenho o direito de pensar o que quiser mas isso não obriga os outros a pensarem como eu! Eu sou católica, não praticante, é verdade, mas os ensinamentos estão na base da minha formação como pessoa e não admito que alguem venha colocar em causa o que eu acredito ou não.
Para José Saramago a Biblia não passa de um livro velho cheio de mentiras...... e o livro dele? talvez um livro novo cheio de mentiras? qual é a diferença ? nenhuma, apenas duas formas de ver a mesma questão.
A Biblia é um livro com muito significado quer para a Religião Católica quer para outras, como a Religião Muçulmana, mas como todo o livro tem que ser situado no tempo em que foi escrito e no tempo a que se reporta (pois todos saberão que os factos relatados neste nem sempre foram presenciados por quem os descrevia). A Biblia é um livro histórico mas também é um livro religioso e filosófico e como tal deverá ser interpretado, adaptado à actual realidade e à evolução dos tempos (ao contrário do que faz a Religião Mulçumana que pretende continuar a aplicar o AlCorão como se nada tivesse mudado!).
Realmente tenho muita pena que José Saramago (de quem eu não sou apreciadora como escritor e cada vez menos como pessoa) não goste de ser português e ache que este país não presta para nada. Mas se calhar seria melhor o senhor requerer a cidadania noutro país e renunciasse à cidadania portuguesa e, por mim, até pudia levar o Premio Nobel para onde fosse. Mais vale pobre mas limpinhos!! Sempre ouvi esta frase, por isso digo que mais vale não ter Premios Nobel portugueses do que portugueses que andem a dizer mal do seu pais e não contribuam para nada para a melhora deste!
Como disse hoje o eurodeputado social-democrata Mário David, segundo informações da LUSA, talvez fosse melhor o" escritor José Saramago a renunciar à cidadania portuguesa" e como ele também escreveu hoje "José Saramago há uns anos, fez a ameaça de renunciar à cidadania portuguesa. Na altura, pensei quão ignóbil era esta atitude. Hoje, peço-lhe que a concretize... E depressa! Tenho vergonha de o ter como compatriota! Ou julga que, a coberto da liberdade de expressão, se lhe aceitam todas as imbecilidades e impropérios?"
Independentemente do quadrante politico do eurodeputado, concordo plenamente com este. Se não gosta não o posso obrigar mas não ande a dizer mal de quem vive neste país e continua a investir e a trabalhar para este, assim Sr José Saramago, vá viver e seja cidadão do país que entenda dar-lhe melhor qualidade de vida e deixe de ofender os portugueses!

2 comentários:

Raquel disse...

bem: eu nao sei se concorde consigo, pois nao consigo dar demasiada importancia a pequenos manifestos de uma patologia visivelmente diagnosticada, propria da idade!o premio nobel que este senhor recebeu parece-me igualar-se ao premio nobel da paz que atribuiram a Obama(pena de morte e tal) , no entanto, perdoem-me os que conseguem ler saramago!
mesmo assim , acho que a tudo se junta a sua nova preferencia musical!
mas segundo as teorias dos entendidos que as entendem(eheh) a 3ª idade devolve-nos a infancia e por vezes "ELES nao sabem o que dizem! perdoai-lhes SENHOR"

bjs

mcv disse...

É verdade, mas não é de agora que ele demonstra esta patologia.....

Diz-me onde moras... por Miguel Esteves Cardoso

Leiam e divirtam-se!

Onde moro? Não digo...

"Um dos grandes problemas da nossa sociedade é o trauma da morada. Por
exemplo, há uns anos, um grande amigo meu, que morava em Sete Rios,
comprou um andar em Carnaxide.
Fica pertíssimo de Lisboa, é agradável, tem árvores e cafés. Só tinha
um problema. Era em Carnaxide.
Nunca mais ninguém o viu.
Para quem vive em Lisboa, tinha emigrado para a Mauritânia!
Acontece o mesmo com todos os sítios acabados em -ide, como Carnide e
Moscavide. Rimam com Tide e com Pide e as pessoas não lhes ligam
pevide.
Um palácio com sessenta quartos em Carnide
é sempre mais traumático do
que umas águas-furtadas em Cascais. É a injustiça do endereço.

Está-se numa festa e as pessoas perguntam, por boa educação ou por
curiosidade, onde é que vivemos. O tamanho e a arquitectura da casa
não interessam. Mas morre imediatamente quem disser que mora em
Massamá, Brandoa, Cumeada, Agualva-Cacém, Abuxarda, Alformelos,
Murtosa, Angeja… ou em qualquer outro sítio que soe à toponímia de
Angola.

Para não falar na Cova da Piedade, na Coina, no Fogueteiro e na Cruz
de Pau. (...)

Ao ler os nomes de alguns sítios – Penedo, Magoito, Porrais, Venda
das Raparigas, compreende-se porque é que Portugal não está
preparado para entrar na Europa.

De facto, com sítios chamados Finca Joelhos (concelho de Avis) e Deixa
o Resto (Santiago do Cacém), como é que a Europa nos vai querer
integrar?


Compreende-se logo que o trauma de viver na Damaia ou na Reboleira não
é nada comparado com certos nomes portugueses.

Imagine-se o impacto de dizer "Eu sou da Margalha" (Gavião) no meio
de um jantar.

Veja-se a cena num chá dançante em que um rapaz pergunta delicadamente
"E a menina de onde é?", e a menina diz: "Eu sou da Fonte da Rata"
(Espinho).

E suponhamos que, para aliviar, o senhor prossiga, perguntando "E onde
mora, presentemente?", Só para ouvir dizer que a senhora habita na
Herdade da Chouriça (Estremoz).

É terrível. O que não será o choque psicológico da criança que acorda,
logo depois do parto, para verificar que acaba de nascer na
localidade de Vergão Fundeiro?

Vergão Fundeiro, que fica no concelho de Proença-a-Nova, parece o nome
de uma versão transmontana do Garganta Funda.

Aliás, que se pode dizer de um país que conta não com uma Vergadela
(em Braga), mas com duas, contando com a Vergadela de Santo Tirso ?
Será ou não exagerado relatar a existência, no concelho de Arouca, de
uma Vergadelas?


É evidente, na nossa cultura, que existe o trauma da "terra".

Ninguém é do Porto ou de Lisboa.

Toda a gente é de outra terra qualquer. Geralmente, como veremos, a
nossa terra tem um nome profundamente embaraçante, daqueles que
fazem apetecer mentir.

Qualquer bilhete de identidade fica comprometido pela indicação de
naturalidade que reze Fonte do Bebe e Vai-te (Oliveira do Bairro).

É absolutamente impossível explicar este acidente da natureza a amigos
estrangeiros ("I am from the Fountain of Drink and Go Away...").
Apresente-se no aeroporto com o cartão de desembarque a denunciá-lo
como sendo originário de Filha Boa.
Verá que não é bem atendido. (...) Não há limites. Há até um lugar
chamado Cabrão, no concelho de Ponte de Lima !!!
Urge proceder à renomeação de todos estes apeadeiros.
Há que dar-lhes nomes civilizados e europeus, ou então parecidos com
os nomes dos restaurantes giraços, tipo : Não Sei, A Mousse é
Caseira, Vai Mais um Rissol. (...)

Também deve ser difícil arranjar outro país onde se possa fazer um
percurso que vá da Fome Aguda à Carne Assada (Sintra) passando pelo
Corte Pão e Água (Mértola), sem passar por Poriço (Vila Verde), e
acabando a comprar rebuçados em Bombom do Bogadouro (Amarante),
depois de ter parado para fazer um chichi em Alçaperna (Lousã).


(Miguel Esteves Cardoso)