terça-feira, 27 de outubro de 2009

Perda .....



Hoje estou triste, morreu a Nora .... Nasceu a 13 de Junho de 1995 e fez este ano 14 anos. Eu sei que já era velhinha mas morreu de doença, o que lhe causou um doloroso sofrimento nos últimos meses.

Eu sei que para muitos choca o facto de me preocupar com um animal e talvez até estejam a dizer que nem me preocupo com as pessoas. Tal não é verdade! Este animal fez parte da minha vida durante 14 anos e foi o primeiro que foi permitido ter na casa dos meus pais e garanto que será o último que entrou naquela casa. Tal facto é extensivel à minha casa, onde tenho uma Lavradora (Luna Margarida) e que é a primeira e a última que nesta vai existir, pois não consigo imaginar a gostar de outro aninal a substituir este.

Os animais e em particular os cães, são os únicos que conseguem ser amigos dos seus amigos, neste caso, os donos e que se contentam apenas com a presença dos seus "amigos"..... e não é por nada que surge a celebre frase de "quanto mais conheço os homens mais gosto dos animais!"

Norinha, espero que a esta hora estejas a correr pelos campos verdes e depois acabes dentro de água a nadar como sempre gostavas..... Fica bem!

6 comentários:

Aninhana disse...

Bonito ... os sentimentos nem sempre são de pessoas para pessoas. Há quem sinta falta de objectos.
Um cão, uma companhia... mais um membro da família.

Raquel disse...

mcv: sei bem a sua tristeza pq conheço a sua grande sensibilidade!
nao fique triste! (a Luna vai ajudar a ultrapassar esse momento) e eu tb! eheh

bjs

mcv disse...

Obrigada pela solidariedade.

mcv disse...

Obrigada pela solidariedade.

Anónimo disse...

Querida Céu, lamento! É impossível ficar indiferente ao que se sente quando o nosso cão vai embora, pena não ficarem para sempre ao nosso lado. Quando nos voltamos a ver? :)*, DulceBorges.

mcv disse...

Querida Dulce, eu sei que tu és umas das pessoas que mais compreende a dor da perda, mesmo que seja do nosso animal de estimação, mas a verdade é que apesar de ser um animal ele já faz parte da familia.
Brevemente vou ver-te. Beijinhos. Céu

Diz-me onde moras... por Miguel Esteves Cardoso

Leiam e divirtam-se!

Onde moro? Não digo...

"Um dos grandes problemas da nossa sociedade é o trauma da morada. Por
exemplo, há uns anos, um grande amigo meu, que morava em Sete Rios,
comprou um andar em Carnaxide.
Fica pertíssimo de Lisboa, é agradável, tem árvores e cafés. Só tinha
um problema. Era em Carnaxide.
Nunca mais ninguém o viu.
Para quem vive em Lisboa, tinha emigrado para a Mauritânia!
Acontece o mesmo com todos os sítios acabados em -ide, como Carnide e
Moscavide. Rimam com Tide e com Pide e as pessoas não lhes ligam
pevide.
Um palácio com sessenta quartos em Carnide
é sempre mais traumático do
que umas águas-furtadas em Cascais. É a injustiça do endereço.

Está-se numa festa e as pessoas perguntam, por boa educação ou por
curiosidade, onde é que vivemos. O tamanho e a arquitectura da casa
não interessam. Mas morre imediatamente quem disser que mora em
Massamá, Brandoa, Cumeada, Agualva-Cacém, Abuxarda, Alformelos,
Murtosa, Angeja… ou em qualquer outro sítio que soe à toponímia de
Angola.

Para não falar na Cova da Piedade, na Coina, no Fogueteiro e na Cruz
de Pau. (...)

Ao ler os nomes de alguns sítios – Penedo, Magoito, Porrais, Venda
das Raparigas, compreende-se porque é que Portugal não está
preparado para entrar na Europa.

De facto, com sítios chamados Finca Joelhos (concelho de Avis) e Deixa
o Resto (Santiago do Cacém), como é que a Europa nos vai querer
integrar?


Compreende-se logo que o trauma de viver na Damaia ou na Reboleira não
é nada comparado com certos nomes portugueses.

Imagine-se o impacto de dizer "Eu sou da Margalha" (Gavião) no meio
de um jantar.

Veja-se a cena num chá dançante em que um rapaz pergunta delicadamente
"E a menina de onde é?", e a menina diz: "Eu sou da Fonte da Rata"
(Espinho).

E suponhamos que, para aliviar, o senhor prossiga, perguntando "E onde
mora, presentemente?", Só para ouvir dizer que a senhora habita na
Herdade da Chouriça (Estremoz).

É terrível. O que não será o choque psicológico da criança que acorda,
logo depois do parto, para verificar que acaba de nascer na
localidade de Vergão Fundeiro?

Vergão Fundeiro, que fica no concelho de Proença-a-Nova, parece o nome
de uma versão transmontana do Garganta Funda.

Aliás, que se pode dizer de um país que conta não com uma Vergadela
(em Braga), mas com duas, contando com a Vergadela de Santo Tirso ?
Será ou não exagerado relatar a existência, no concelho de Arouca, de
uma Vergadelas?


É evidente, na nossa cultura, que existe o trauma da "terra".

Ninguém é do Porto ou de Lisboa.

Toda a gente é de outra terra qualquer. Geralmente, como veremos, a
nossa terra tem um nome profundamente embaraçante, daqueles que
fazem apetecer mentir.

Qualquer bilhete de identidade fica comprometido pela indicação de
naturalidade que reze Fonte do Bebe e Vai-te (Oliveira do Bairro).

É absolutamente impossível explicar este acidente da natureza a amigos
estrangeiros ("I am from the Fountain of Drink and Go Away...").
Apresente-se no aeroporto com o cartão de desembarque a denunciá-lo
como sendo originário de Filha Boa.
Verá que não é bem atendido. (...) Não há limites. Há até um lugar
chamado Cabrão, no concelho de Ponte de Lima !!!
Urge proceder à renomeação de todos estes apeadeiros.
Há que dar-lhes nomes civilizados e europeus, ou então parecidos com
os nomes dos restaurantes giraços, tipo : Não Sei, A Mousse é
Caseira, Vai Mais um Rissol. (...)

Também deve ser difícil arranjar outro país onde se possa fazer um
percurso que vá da Fome Aguda à Carne Assada (Sintra) passando pelo
Corte Pão e Água (Mértola), sem passar por Poriço (Vila Verde), e
acabando a comprar rebuçados em Bombom do Bogadouro (Amarante),
depois de ter parado para fazer um chichi em Alçaperna (Lousã).


(Miguel Esteves Cardoso)