sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Preço de Luís Figo?


Realmente a falta de noticias leva à divulgação dos maiores absurdos.....
Quem consegue acreditar que Luís Figo, ex-futebolista, cujo património pessoal deixa inveja a muitas pessoas, "vendeu" a sua imagem e o seu apoio politico a uma candidatura nas legistativas de Setembro, ao aparecer publicamente ao lado de José Socrates...... Eu pessoalmente não acredito e por muitos motivos.
Luís Figo, desde sempre, aparentou ser uma pessoa integra e nada dada a associar-se a eventos dos quais não acreditava e isso é patente na associação deste a vários projectos de solidariedade. Por outro lado, não me parece que Luís Figo se comprometesse em algo a troco de dinheiro e muito menos pela quantia que se fala, a qual para ele não significa nada.
O que me parece é que tudo serve para deitar abaixo a imagem de um homem, José Socrates, como não perdeu as eleições então é necessário continuar a denegrir a sua imagem, não chegavam os atentados à sua vida pessoal, o caso do Freeport, etc., como também se tornou imperioso arrastar na lama o nome de um dos chamados herois de Portugal, o Luís Figo.
Há dias que me envergonho da mentalidade das pessoas deste país.....
Para agravar tudo isto, é dada uma imagem da justiça que não me agrada nada e que não reflecte a realidade dos factos. E isto tudo porquê? simplesmente porque é necessário vender notícias.....
Sinceramente eu penso que à comunicação social não deveria ser acessivel certas informações, nomeadamente o que se prende com a justiça e com os tribunais pois nem todos os jornalistas são sérios e pautam a sua vida profissional de uma forma recta, integra e com ética. Muitos apenas querem vender noticias e em consequência publicam coisas que não são verdade, sem qualquer cuidado de as averiguarem préviamente ou até nem se importando com esse facto. Publicam coisas que nem sabem como são ou como funcionam, como é o caso do mundo jurisdicional, e dão à população em geral ideias erradas e muito negativas e com isso só ajudam a que cada vez mais os cidadãos pensem mal da justiça que temos! Só lhes peço que antes de publicarem algo ponham a mão na consciência e pensem no que efectivamente estão a fazer e que não se esqueçam que nunca se sabe quando nos poderá tocar à nossa porto!

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Diz-me onde moras... por Miguel Esteves Cardoso

Leiam e divirtam-se!

Onde moro? Não digo...

"Um dos grandes problemas da nossa sociedade é o trauma da morada. Por
exemplo, há uns anos, um grande amigo meu, que morava em Sete Rios,
comprou um andar em Carnaxide.
Fica pertíssimo de Lisboa, é agradável, tem árvores e cafés. Só tinha
um problema. Era em Carnaxide.
Nunca mais ninguém o viu.
Para quem vive em Lisboa, tinha emigrado para a Mauritânia!
Acontece o mesmo com todos os sítios acabados em -ide, como Carnide e
Moscavide. Rimam com Tide e com Pide e as pessoas não lhes ligam
pevide.
Um palácio com sessenta quartos em Carnide
é sempre mais traumático do
que umas águas-furtadas em Cascais. É a injustiça do endereço.

Está-se numa festa e as pessoas perguntam, por boa educação ou por
curiosidade, onde é que vivemos. O tamanho e a arquitectura da casa
não interessam. Mas morre imediatamente quem disser que mora em
Massamá, Brandoa, Cumeada, Agualva-Cacém, Abuxarda, Alformelos,
Murtosa, Angeja… ou em qualquer outro sítio que soe à toponímia de
Angola.

Para não falar na Cova da Piedade, na Coina, no Fogueteiro e na Cruz
de Pau. (...)

Ao ler os nomes de alguns sítios – Penedo, Magoito, Porrais, Venda
das Raparigas, compreende-se porque é que Portugal não está
preparado para entrar na Europa.

De facto, com sítios chamados Finca Joelhos (concelho de Avis) e Deixa
o Resto (Santiago do Cacém), como é que a Europa nos vai querer
integrar?


Compreende-se logo que o trauma de viver na Damaia ou na Reboleira não
é nada comparado com certos nomes portugueses.

Imagine-se o impacto de dizer "Eu sou da Margalha" (Gavião) no meio
de um jantar.

Veja-se a cena num chá dançante em que um rapaz pergunta delicadamente
"E a menina de onde é?", e a menina diz: "Eu sou da Fonte da Rata"
(Espinho).

E suponhamos que, para aliviar, o senhor prossiga, perguntando "E onde
mora, presentemente?", Só para ouvir dizer que a senhora habita na
Herdade da Chouriça (Estremoz).

É terrível. O que não será o choque psicológico da criança que acorda,
logo depois do parto, para verificar que acaba de nascer na
localidade de Vergão Fundeiro?

Vergão Fundeiro, que fica no concelho de Proença-a-Nova, parece o nome
de uma versão transmontana do Garganta Funda.

Aliás, que se pode dizer de um país que conta não com uma Vergadela
(em Braga), mas com duas, contando com a Vergadela de Santo Tirso ?
Será ou não exagerado relatar a existência, no concelho de Arouca, de
uma Vergadelas?


É evidente, na nossa cultura, que existe o trauma da "terra".

Ninguém é do Porto ou de Lisboa.

Toda a gente é de outra terra qualquer. Geralmente, como veremos, a
nossa terra tem um nome profundamente embaraçante, daqueles que
fazem apetecer mentir.

Qualquer bilhete de identidade fica comprometido pela indicação de
naturalidade que reze Fonte do Bebe e Vai-te (Oliveira do Bairro).

É absolutamente impossível explicar este acidente da natureza a amigos
estrangeiros ("I am from the Fountain of Drink and Go Away...").
Apresente-se no aeroporto com o cartão de desembarque a denunciá-lo
como sendo originário de Filha Boa.
Verá que não é bem atendido. (...) Não há limites. Há até um lugar
chamado Cabrão, no concelho de Ponte de Lima !!!
Urge proceder à renomeação de todos estes apeadeiros.
Há que dar-lhes nomes civilizados e europeus, ou então parecidos com
os nomes dos restaurantes giraços, tipo : Não Sei, A Mousse é
Caseira, Vai Mais um Rissol. (...)

Também deve ser difícil arranjar outro país onde se possa fazer um
percurso que vá da Fome Aguda à Carne Assada (Sintra) passando pelo
Corte Pão e Água (Mértola), sem passar por Poriço (Vila Verde), e
acabando a comprar rebuçados em Bombom do Bogadouro (Amarante),
depois de ter parado para fazer um chichi em Alçaperna (Lousã).


(Miguel Esteves Cardoso)